quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Cansada

Tô cansada.

De tentar ser sempre uma pessoa legal, uma pessoa do bem, de ser política. Cansei de estar sempre disponível, de me desdobrar em mil pra agradar alguém, de permitir que o meu círculo de amizades se amplie além da minha capacidade de gerenciá-lo.

Não quero mais dar satisfações da minha vida, a quem quer que seja. Chega, não precisam entender a minha vida, nem a maneira com a qual eu a conduzo - apenas me permitam ser! Sem explicações, sem dramáticas e consistentes razões, sem relevantes motivos.

O ser humano se padronizou em: se formar, pós-graduar, trabalhar em um emprego que pague bem e dure muito, estudar mais um pouco, comprar coisas, estudar ainda mais, ser promovido no emprego, ter casa, carro, poder fazer viagens programadas nas férias, ter filhos, envelhecer e morrer. Algo tão linear e previsível! E nem por isso simples ou garantia de sucesso e realização pessoal. E ainda que uma pessoa seja bem sucedida na empreitada de ser "normal" (sim, porque virou um padrão de normalidade seguir essa 'receitinha de sucesso'), isso não significa que funcione pra todas.

Será que me dão licença de ser diferente?

Desde muito novinha, nunca achei que seguiria esse padrão. Nunca quis emendar escola, faculdade, pós-graduação e etc. Juro, desde criança, com uns 8 ou 9 anos de idade, já questionava se isso me faria feliz. Pensava que os vinte anos compreendidos entre os 15 e os 35 anos, deviam ser os melhores anos de toda minha existência na Terra, então porque eu passaria de seis a oito horas do meu dia me dedicando a estudos, se o dia já me parecia curto demais para todas as atividades que eu desejava fazer! Tantos livros legais pra ler, filmes pra assistir, festas, viagens, passeios. Sempre quis aproveitar tudo isso no vigor da minha juventude, não quando estivesse uma senhora cansada e com filhos criados. Eu não concordo, mas aceito numa boa quem se afunda nos livros e se forma cedo. Apóio, dou a maior força, se a pessoa precisar. Mas, por Deus, não queiram que eu seja assim, pois não sou. Isso não me realiza, isso não me faria feliz.

Amo a minha liberdade, vivê-la em sua plenitude é minha verdadeira felicidade. Não trocaria os altos de baixos da minha liberdade pela regularidade de uma vida comum.

Prefiro furar os dedos nos espinhos ao colher as rosas, do que me contentar em vê-las no jardim.